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Nobre vagabundo!

Um gatinho, lindo, branco, livre - nobre vagabundo - d e vez em quando, mas sempre quando quer, passeia sobre meu muro devagar e provocativo, enlouquece os cachorros, mas ele nem aí! Se espreguiça, afia as unhas, estica os braços, e entres os galhos, sob nuances de luzes e sombras, dorme. Ou simplesmente fica fazendo pose, como na foto acima. Mesmo sem as asas de gaviões, falcões e águias (desejos de minha alma animal!), o gato é um símbolo de liberdade, de independência - há quem diga e acredite que os gatos sejam individualistas - seu instinto de sobrevivência, aliado ao sua genética de felino caçador, fazem deles animais admiráveis! Ainda tem os olhos, que é um outro encanto, outra história: brilhantes hipnotizadores!  ... depois de deixar ser fotografado, se estica de novo, dá um miado suave, olha pros lado e pra baixo, e simplesmente se vai, assim como chegou: por sua vontade própria, dono do meu quintal. Até senti vontade, e voltar!

O INDOLENTE -

Monólogo do Indolente A preguiça lambe primeiro o solado do meu calçado Depois os pés que não resistem à força da sua saliva. E se prostra no solo do descanso. A palavra em movimento encontra jardim O poeta caminha sem um só passo. Na vereda, no bosque divino Edificado com terra e areia humana.. A peregrinação sai como um comboio de palavras do sofá Os olhos acompanham O corpo fica A multidão de homens de todas as cores Fazem parte de apenas uma folha. O poeta quer falar certo em língua de bêbado Que o vento da poesia nunca deixe de assoprar em seu rosto A palavra como um camaleão não tem cor fixa. Esconde-se em todos os lugares E às vezes nem está lá quando a imaginamos. A palavra é ser sem fronteira. Corpo simultaneamente presente e ausente Em grande movimento. Jean Narciso